A MALDIÇÃO DE CASSANDRA
Márcia Villas-Bôas
Cassandra e seu irmão
gêmeo Heleno, filhos do rei de Tróia,
Príamo, foram agraciados por Apolo, ao nascerem, com o dom da profecia.
Apolo, porém, vendo Cassandra crescer em inteligência e beleza, por ela se apaixonou.
Cassandra, que servia à deusa Atena, recusou seu amor e Apolo, ferido em seu
orgulho, retirou da moça o dom da persuasão, isto é, por mais que profetizasse,
ninguém acreditaria no que dissesse.
Cassandra, desesperada porque ninguém a escutava, avisava a todos sobre os perigos que Tróia corria, sobre o fogo que a destruiria, sobre a necessidade de que tomassem providências sobre o que ocorria em seu Reino para que a desgraça não caísse sobre ele, mas ninguém acreditava em suas palavras. E não escutavam nada do que dizia, julgando estar a moça completamente enlouquecida.
Na história de nossa humanidade, foram
muitos os que carregaram, e que ainda carregam consigo a maldição de Cassandra.
Pelo visto, ao amaldiçoar Cassandra, Apolo estendeu seu anátema a todos aqueles
que conseguem ver um pouco além mas
que, quando expõem sua nova visão do mundo, são crucificados, queimados em
fogueiras, ou vistos como loucos, coisa que vem acontecendo ao longo da nossa
História.
Será isso apenas mais um capricho dos
deuses, ou um castigo para aqueles que ousam pretender mostrar à humanidade o
caminho mais rápido e indolor para o resgate de uma cegueira milenar?
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