INDO ÀS ESTRELAS

 

Dormi.

E fui levada a algum lugar do espaço.

A ausência de matéria física

dava a meu sonho um aspecto irreal.

Eu sabia, no entanto, que aquele lugar existia,

e que era mais real

que o mundo físico onde vivia.

Via o espaço negro pontilhado de luzes

e via a Terra azulada, tão distante.

Senti-me feliz, livre das tristezas da vida.

Sons maravilhosos, indefiníveis,

enchiam o vácuo, vindos de lugar nenhum.

Uma Paz profunda invadiu-me a alma

e compreendi, então, que não estava sonhando.

Minha consciência estava no espaço,

fazia parte do espaço, das estrelas,

do Universo.

Ah, que vontade de não mais voltar!

Ah, que vontade de habitar eternamente

o espaço, as estrelas, o Universo!

Depois lembrei-me de meus irmãos, na Terra,

que não conheciam o espaço,

que não conheciam as estrelas,

que não conheciam o Universo.

E tive uma vontade imensa de levar a eles

um pouco de tudo aquilo,

tive um desejo enorme de reproduzir na Terra

um pedacinho do céu.

E voltei ao mundo físico, ao corpo que me esperava,

com saudade do espaço,

com saudade das estrelas,

com saudade do Universo.

 

Indo às Estrelas - "O Grande Encontro" de Márcia Villas-Bôas
Viagem Interior: O Segredo dos Deuses
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