A VOLTA AO PAI
-1-

Deixaste
a casa paterna,
talvez sem intenção de te afastares muito.
Mas
a curiosidade de desvendar o mundo exterior foi grande
e teus passos te conduziram para longe.
Em
tua viagem, conheceste maravilhas, possuíste riquezas,
mas nenhuma delas se comparava em
esplendor
à rosa vermelha do jardim da casa onde nasceste.
Tiveste
tantos amores, mas nenhum tão intenso e puro
como o Amor de teu Pai.
E
um dia sentiste sede,
uma sede insaciável que te martirizou o ser.
Procuraste
em vão uma fonte onde mitiga-la,
mas entre os teus prazeres e riquezas
não conseguiste nada que te saciasse.
E
quanto mais buscavas, mais a sede aumentava.
Enfim,
exausto, meditaste.
E
em tua mente surgiu a imagem da fonte límpida
que corre nos jardins da casa do teu Pai.
Inicias,
agora, a longa viagem de volta.
Porém,
enquanto estiveste afastado,
cresceram urzes no caminho,
a floresta tornou-se mais densa.
Vai
em frente, não vaciles.
A
estrada de retorno é sempre mais difícil,
mas teu esforço será recompensado.
Terás
que abrir a trilha na mata hostil
com tuas próprias mãos,
e rasgarás tuas carnes nos espinhos agrestes.
Mas
teus pés, feridos e cansados,
não se deterão jamais,
pois o caminho de volta é o caminho da vida
e tu queres viver.
E
quando lá chegares,
verás a rosa vermelha desabrochada.
Saciarás
tua sede.
Sanarás
tuas feridas nas águas cristalinas da fonte
e irás repousar no seio do Pai
que te espera de braços abertos.

A
Volta ao Pai-1
- "À Sua Imagem e Semelhança"
de Marcia Villas-Bôas
Viagem Interior: O Segredo dos Deuses
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